Máquina de tricotar meias de McMullen e Hollen

John McMullen (1791–1870) e Joseph Hollen Jr. (1798–1874), ambos da região central da Pensilvânia, patentearam uma máquina para tricotar meias em 1831. Não foi a primeira máquina do tipo, mas prometia maior facilidade para dar forma ao trabalho, produzir tecidos mais firmes e uniformes e permitir “o emprego de crianças” para acompanhar a operação.

O Niles' Weekly Register descreveu a nova máquina como barata e “muito desejável, por oferecer trabalho, em casa, às mulheres que dele dependem para subsistir e sustentar suas famílias”. Cada máquina produzia um ou dois pares de meias masculinas longas por dia. Além disso, era tão pequena e tão fácil de acionar por uma manivela manual que uma menina de doze ou quinze anos “poderia movimentar” e supervisionar três ou mais máquinas ao mesmo tempo. O Western Christian Advocate noticiou que a máquina “faz o trabalho de seis tricoteiros experientes” e “pode ser operada por qualquer criança inteligente após alguns minutos de instrução”. O Workingman's Advocate lamentou “pelas senhoras idosas, que terão de abandonar uma ocupação favorita e recorrer a algo mais moderno e elegante do que tricotar”.

O New England Farmer considerou-a uma máquina pequena e bem-feita, “pela qual pessoas em condições de pobreza, assim como crianças, podem ser empregadas com grande vantagem” e que “abre um bom campo para o investimento de capital”. Acrescentou que os supervisores de todas as instituições públicas eram especialmente convidados a examiná-la, “pois pode ser utilizada por eles com grande vantagem e está, em geral, ao alcance dos pobres”.

Alguns observadores reconheceram os custos humanos da automação. O Salem Observer, por exemplo, escreveu: “Esperamos sinceramente que as invenções mecânicas modernas não eliminem por completo a necessidade do trabalho manual; pois, se chegarmos a uma época em que o trabalho se torne supérfluo, seremos um conjunto de mortais em situação pior do que a atual”.

O Museu Nacional de História Americana talvez não possua uma máquina McMullen-Hollen, mas conserva a Medalha John Scott concedida a McMullen por essa realização. John Scott era um farmacêutico de Edimburgo que, embora nunca tenha pisado no Novo Mundo, deixou em testamento quatro mil dólares à cidade de Filadélfia, cujos juros deveriam ser usados para recompensar “homens e mulheres engenhosos que criam invenções úteis”.

John McMullen recebeu outras duas patentes. Uma, de 1846, descrevia uma máquina para fabricar redes de pesca (patente nº 4.608, com melhoria na patente nº 15.245). A outra, de 1854, descrevia um método mecânico de impedir a formação de incrustações em caldeiras a vapor (patente nº 10.964).

Hollen recebeu outras patentes relativas a máquinas de tricotar em 1850 (nº 7.509; o museu conserva o modelo dessa patente), 1854 (nº 11.995) e 1859 (nº 25.827). A Hollen Knitting Machine Company da Pensilvânia foi incorporada em 1867 para fabricar e vender essas máquinas.

Quem inventa e quem recebe o crédito?

Lavar roupa era uma tarefa extenuante no século XIX. Era preciso reunir combustível e água, esfregar e torcer as peças manualmente, pendurá-las para secar e depois passá-las com ferros pesados aquecidos no fogão. Lavar, enxaguar, repetir. Mulheres que trabalhavam na própria casa e aquelas empregadas nas residências de outras pessoas temiam o dia da lavagem. Percebendo uma oportunidade de mercado, fabricantes começaram a produzir numerosas tecnologias domésticas novas, todas anunciadas com a promessa de reduzir a penosidade do trabalho da casa. Ao pesquisar esses dispositivos, surpreendi-me com a ausência de mulheres nos registros de patentes. Embora lavar roupa fosse considerado trabalho feminino, as patentes dessas invenções geralmente pertenciam a homens. Mas, considerando que as mulheres tinham maior experiência com o trabalho e suas ferramentas, não seria mais provável que elas as aperfeiçoassem? Não surpreende que tenham feito isso, mas suas contribuições continuam ocultas.

Um desses casos foi o de Ellen Eglin, trabalhadora doméstica afro-americana que vivia em Washington, D.C., e inventou um espremedor de roupas aperfeiçoado. Em vez de patentear a invenção, Eglin vendeu-a a um agente em 1888 por dezoito dólares. O espremedor trouxe a seu proprietário “grande sucesso financeiro”, segundo Charlotte Smith, de The Woman Inventor, publicação de curta duração que chamava a atenção para as inventoras e os problemas que enfrentavam. Se não fosse por aquela breve reportagem, a história de Eglin estaria inteiramente perdida. Quando lhe perguntaram por que decidira vender, Eglin respondeu: “Você sabe que sou negra e que, se ficasse conhecido que uma mulher negra patenteou a invenção, as senhoras brancas não comprariam o espremedor; eu tinha medo de ser conhecida por causa da minha cor ao apresentar o produto ao mercado, essa é a única razão”. Eglin também ingressou no sindicato de Smith, a Women's National Industrial League (WNIL), e estava indicada para se tornar presidente do Comitê para Organizar Mulheres Negras.

Em 1900, as mulheres afro-americanas já constituíam uma parcela grande e crescente das trabalhadoras domésticas. Muitas delas realizavam o dobro de trabalho da casa: no emprego e na própria residência. A história de Eglin me levou a aprofundar a pergunta. Com tanto tempo dedicado a esse trabalho, por que conhecemos tão poucas inventoras negras que desenvolveram tecnologias domésticas naquele período?

Um motivo é que a dependência dos registros de patentes para compreender a história da invenção obscurece as contribuições de todas as mulheres, especialmente das afro-americanas. Embora raça e gênero não impedissem oficialmente alguém de solicitar uma patente, existiam inúmeros obstáculos sociais que impediam as mulheres de patentear suas ideias. Entre eles estavam a falta de acesso à formação técnica pertinente, crenças sobre os tipos de trabalho considerados adequados às mulheres, escassez de renda disponível, tempo e acesso às redes de relacionamento necessárias, além de direitos de propriedade discriminatórios — a lista continua. Para as mulheres afro-americanas, esses fatores eram agravados pela discriminação racial. Mesmo quando mulheres negras conseguiam superar os obstáculos e obter uma patente, os pesquisadores têm dificuldade para identificá-las, pois o escritório americano de patentes não registrava raça nem gênero dos solicitantes.

Um espremedor descrito no artigo foi fabricado aproximadamente na época em que Eglin vendeu sua invenção. Nos três anos entre a venda e a entrevista que concedeu a The Woman Inventor, muitos dos principais fabricantes de espremedores nos Estados Unidos se consolidaram na American Wringer Co., que fabricou aquele equipamento. Durante a consolidação, compravam todas as patentes e inovações de espremedores que conseguiam encontrar. Embora não saibamos quem adquiriu os direitos da invenção de Eglin, é possível que tenha sido um agente de uma das empresas que mais tarde formaram a American Wringer Co., ou um intermediário independente. O espremedor está diretamente ligado à melhoria criada por Eglin? Provavelmente nunca saberemos com certeza, mas ele pode ser visto como símbolo de um processo que absorveu sua invenção.

Muitos objetos das coleções do museu estão ali há décadas, alguns há mais de um século. Os objetos permanecem os mesmos, mas novas gerações de historiadores fazem perguntas diferentes e contam novas histórias ao reinterpretá-los e situá-los em novos contextos. Ao pesquisar esse espremedor, minhas perguntas me levaram à história de Eglin.

Muitas vezes, as pessoas que usam as ferramentas são fundamentais para o processo de invenção. Se ampliarmos a compreensão desse processo para incluir não apenas os registros de patentes, mas também a série de melhorias não patenteadas realizadas antes e depois da concessão de uma patente, quantos inovadores poderão aparecer? Em muitos casos, as camadas de invisibilidade que envolvem as contribuições de mulheres afro-americanas significam que nunca conheceremos as histórias completas por trás dos objetos de nossas coleções. Mas, ao utilizar os acervos para contar histórias como a de Eglin, podemos chamar a atenção para os processos que as obscurecem e apresentar uma história mais inclusiva e precisa.

Max Peterson concluiu um estágio curatorial na Divisão de Vida Doméstica e Comunitária do Museu Nacional de História Americana, trabalhando com as curadoras Shelley Nickles e Barbara Clark Smith numa exposição on-line sobre a história do trabalho doméstico. Agradece a Hollis Gentry, especialista em genealogia do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, pela ajuda na pesquisa sobre Ellen Eglin.