Jacob Rabinow e Marion O’Brien Donovan na televisão

Jacob Rabinow (1910–1999) e Marion O’Brien Donovan (1917–1998) têm três coisas em comum: ambos eram inventores, ambos possuem coleções no Archives Center do Museu Nacional de História Americana e ambos participaram do programa de entrevistas Not For Women Only. O programa começou em 1968, na cidade de Nova York, e passou a ser distribuído nacionalmente em 1972. A série examinava questões sociais com especialistas e foi um dos primeiros programas de entrevistas a envolver a plateia. Bem avaliado e exibido em mercados de todo o país, Not For Women Only foi citado pelo The New York Times como um dos programas mais “provocativos de toda a programação do início da manhã”. Mais de mil episódios foram ao ar, e Barbara Walters apresentou o programa de 1971 a 1976.

As trajetórias inventivas de Rabinow e Donovan se cruzaram em 1975, quando ambos participaram de dois episódios intitulados Inventors and Inventions (“Inventores e invenções”). Gravados ao longo de dois dias, os episódios reuniram Rabinow, Donovan e Henry Klepp. Cada inventor discute e demonstra suas invenções, e os três participam de uma conversa mais ampla sobre o sistema de patentes dos Estados Unidos, que Rabinow explica com especial habilidade. Na verdade, ele transborda um certo charme de inventor e diz a Barbara Walters que seu trabalho é divertido. Não surpreende que Rabinow publicasse mais tarde um livro intitulado Inventing for Fun and Profit, em 1989. Donovan discute algumas de suas invenções: o Boater, uma embalagem malsucedida de cigarros e um recipiente dosador. Este último, uma caixa de sabão em pó com mecanismo de dosagem (patente norte-americana nº 2.811.281), demonstra a capacidade de Donovan de criar soluções engenhosas para necessidades domésticas. Com facilidade, Donovan retira o sabão em pó de uma caixa pesada, medindo com precisão a quantidade necessária. Atualmente, alguns sabões para lavar roupas são vendidos com torneiras dosadoras ou bombas de dosagem precisa.

A carreira de Donovan como inventora é marcada pela criação, em 1949, do “Boater”, uma capa para fraldas (patente norte-americana nº 2.556.800) feita com náilon excedente de paraquedas, e por sua invenção de 1993, o DentaLoop (patente norte-americana nº 4.523.600), pequenos círculos individuais, previamente cortados, de fio dental de duas camadas. Como inventora e empreendedora, Donovan criou produtos que respondiam a problemas relacionados à saúde pessoal, à beleza e às necessidades domésticas.

A trajetória inventiva de Rabinow abrange diversos dispositivos mecânicos, ópticos e elétricos, como mecanismos de regulagem automática de relógios, uma máquina de classificação automática de cartas, uma embreagem de partículas magnéticas, memória em disco magnético e um fonógrafo de trajetória retilínea. Seu trabalho com reconhecimento óptico de caracteres, ou OCR (patente norte-americana nº 2.933.246), foi pioneiro. Ele permitia que máquinas examinassem textos de vários tipos, independentemente da fonte, e fizessem uma série de avaliações para determinar as melhores correspondências com caracteres padronizados. Rabinow trabalhou no National Bureau of Standards (atual NIST) e depois fundou sua própria empresa, a RABCO. Em 1998, recebeu o prêmio Lemelson-MIT pelo conjunto de sua obra, em reconhecimento às muitas contribuições que havia realizado.

Tive o prazer de conhecer Rabinow em 1998. Aos 88 anos, ele ainda transbordava aquele charme de inventor, compartilhando seus conhecimentos e fazendo questão de me dizer que sua vida de invenções tinha sido muito divertida. Os episódios de Not For Women Only integram os documentos de Marion O’Brien Donovan. Para saber mais sobre Marion O’Brien Donovan ou Jacob Rabinow, pode-se consultar o Archives Center.

As invenções nada convencionais de Hugo Gernsback

Hugo Gernsback (1886–1967), o “pai da ficção científica”, foi editor, publisher, autor, cientista e inventor, mais conhecido pelos livros Ralph 124C 41+ (1911) e Ultimate World (1958) e pelas revistas Modern Science (1908) e Amazing Stories (1927), a primeira revista popular de ficção científica. Por meio dessas publicações, difundiu suas ideias sobre novos conceitos científicos e inovações. Ao todo, editou e publicou mais de cinquenta publicações e fundou a estação de rádio WRNY em 1925. Autodenominado profeta da ciência, também previu avanços científicos, entre eles o radar e a televisão. Entre suas mais de trinta patentes estão uma escova elétrica de cabelo combinada com pente (patente norte-americana nº 1.016.138), de 1912; uma almofada para a orelha (patente nº 1.514.152), de 1927; e um dispositivo hidráulico para piscicultura (patente nº 2.718.083), de 1955. Essas e muitas outras invenções de Gernsback pareceriam perfeitamente adequadas às páginas de sua publicação farsesca Popular Neckanics Gagazine (1947), dedicada “ao amor e à solução de seu grande mistério”.

Em Popular Neckanics Gagazine, ele escreveu que “era uma situação lamentável que as grandes mentes da engenharia mecânica e eletrônica tivessem sido tão negligentes em rastrear o amor e resolver seu enigma”. Repreendendo os cientistas, afirmou que “em vez disso, perseguem, de todas as coisas, o átomo, e dissecam e dividem justamente isso, quando a radiação do Amor é muito mais devastadora do que um milhão de bombas atômicas”. Gernsback lamentava ter ficado desgostoso com a ciência, embora ele próprio também fosse cientista.

Em tom mais leve, porém, Popular Neckanics Gagazine, supostamente “registrada no Escritório de Impotências e Patranhas das Nações Unidas” e que apresentava Houg Sengbrack como seu “edirtor e publicador”, mostrava o quanto Gernsback apreciava jogos de palavras. A edição está repleta de invenções e engenhocas, de automóveis dirigidos por robôs a apontadores de esquilos, e foi escrita “para que você não consiga entendê-la”. A bolsa extensível Plaslastic Expanso Bag, o TinCan-Can, o Lamplifier e o secador de cabelo Stovepipe Hair Dryer ilustram o ridículo e, ainda assim, o prático. Quem não precisa de uma bolsa capaz de transportar compras e uma criança? E reutilizar latas é uma abordagem “verde”. Gernsback já pensava em reciclagem muito antes de ela se tornar popular. E o Lamplifier atende a tantas necessidades que apenas amplifica sua funcionalidade.

Outros esforços bem-humorados incluíram Jolliers, the Notional Weakly (1948), dedicado à boa e velha alegria, e Radiocracy (1943), que apresentava um mundo de rádio e eletrônica do pós-guerra “de pernas para o ar”. Ele distribuía ambos por ocasião do Natal e do Ano-Novo.

Os documentos de Hugo Gernsback, de 1908 a 1965, estão no Special Collections Research Center e nos University Archives da Universidade de Syracuse, mas várias preciosidades de Gernsback encontram-se escondidas na George H. Clark Collection. Clark (1881–1959), operador de telégrafo ferroviário e engenheiro eletricista, especializou-se em radiocomunicação. Também era um grande colecionador de tudo o que dizia respeito ao rádio. Não surpreende que sua coleção contenha desenhos humorísticos, poesias, piadas e histórias engraçadas sobre rádio, incluindo três revistas de paródias de Gernsback.