Jerome Lemelson, inventor independente que fundou o Lemelson Center, preocupava-se com a imagem pública da invenção nos Estados Unidos. Costumava dizer que, se pedíssemos a um jovem para citar cinco estrelas do rock ou atletas famosos, ele responderia imediatamente. Mas, se pedíssemos cinco inventores, provavelmente ficaria sem opções depois de Thomas Edison. Quantos norte-americanos de qualquer idade conseguiriam citar cinco inventoras? E, no entanto, a história das mulheres que inventam é tão longa quanto a dos homens.
Sybilla Masters costuma ser apontada como a primeira inventora das colônias norte-americanas. Em 1715, tribunais ingleses concederam uma patente — embora em nome de seu marido, Thomas — para um método de transformar milho em farinha. O próprio documento declarava que a “nova invenção” havia sido descoberta por Sybilla, esposa dele.
Ela não foi a única. No século seguinte, numerosas mulheres inventaram. Mary Kies obteve em seu próprio nome, em 1809, uma patente de técnica para trançar palha, utilizada na fabricação de chapéus na Nova Inglaterra. Depois da morte prematura do marido, Martha Coston aperfeiçoou a ideia dele para sinalizadores luminosos coloridos. Patenteou o sistema, utilizado pela Marinha na Guerra Civil, vendeu seus direitos ao governo por vinte mil dólares e obteve um contrato para produzir as luzes. Entre as muitas invenções de Margaret Knight estava uma máquina para produzir sacolas de papel com fundo quadrado; sua patente original data de 15 de novembro de 1870. Vale lembrar disso na próxima vez que alguém no supermercado perguntar: “Papel ou plástico?”.
Mesmo assim, em 1910, as invenções atribuídas a mulheres respondiam por menos de 1% das patentes norte-americanas. Por quê?
Os obstáculos legais, econômicos e sociais
A resposta está, em parte, na posição das mulheres na ordem social. Durante o século XIX, predominava a ideia de que o lugar da mulher era dentro de casa. Essa visão limitava as oportunidades de educação técnica e carreira. Além disso, as leis de muitos estados impediam mulheres casadas de possuir bens em seu próprio nome. Sem formação ou recursos independentes, muitas precisavam dos maridos para custear o processo caro de patentear uma invenção: contratar modelistas e desenhistas para preparar desenhos de patente, pagar advogados e quitar taxas do órgão de patentes.
Milhares de inventoras superaram essas barreiras. Outras tantas, presumivelmente, viram suas ideias patenteadas no nome de um homem, como aconteceu com Sybilla Masters, ou registradas em seu próprio nome apenas com as iniciais. Algumas consideravam essa a melhor maneira de comercializar a criação, já que o preconceito contra a capacidade intelectual feminina podia bloquear o projeto antes mesmo da fabricação.
Historiadores estudaram as inventoras do século XIX como grupo diferente dos homens, investigando os impedimentos, as origens socioeconômicas, os tipos e números de criações, a extensão da participação feminina na invenção e suas consequências. As interpretações se organizam em três grandes categorias: jurídica, econômica e social.
Os direitos jurídicos das mulheres casadas eram praticamente inexistentes no começo do século XIX. Em 1932, Grace Abbott escreveu que, conforme o direito consuetudinário, a mulher, ao casar-se, perdia seus direitos, suas responsabilidades e até sua identidade. Diversos historiadores apontaram a impossibilidade de controlar bens próprios como desestímulo à invenção e como brecha pela qual invenções femininas eram registradas em nome de homens.
Matilda Joslyn Gage, em 1883, descreveu apaixonadamente o dilema. Em nenhum estado norte-americano, dizia ela, a mulher casada tinha reconhecido o direito aos ganhos obtidos dentro da família; e em menos da metade deles podia controlar o que ganhava trabalhando fora de casa. Mesmo se obtivesse uma patente, não poderia decidir livremente o que fazer com ela: não teria título, poder contratual ou direito de licenciar sua invenção. Tampouco poderia processar quem a violasse. O marido poderia registrá-la em seu nome, vendê-la para benefício exclusivo, doá-la ou simplesmente nunca utilizá-la, sem oferecer reparação à esposa.
O número de patentes concedidas a mulheres aumentou com as mudanças nas leis de propriedade a partir de meados do século. Mas, além das que apareciam nos registros oficiais, incontáveis mulheres nunca iniciaram um pedido formal. É muito difícil documentá-las, e infelizmente muitas histórias se perderam.
Com o avanço do século XIX, as perspectivas melhoraram para as inventoras e para as mulheres em geral. Além das leis de propriedade, o movimento pelos direitos femininos ganhou coesão na Convenção de Seneca Falls, em 1848, e passou a reivindicar igualdade no ensino, no voto, na propriedade e na sociedade. A Guerra Civil também ampliou os papéis sociais das mulheres: enquanto parentes homens combatiam, a geração anterior à de Rosie, a Rebitadora, inventava máquinas para fazendas e fábricas. Feiras universais divulgavam suas criações. A Exposição do Centenário de 1876, na Filadélfia, e a Exposição Colombiana de 1893, em Chicago, tinham pavilhões dedicados às mulheres com objetos inventados por elas.
Se a condição jurídica podia desencorajar ou esconder essas invenções, a economia também as impulsionava. A percepção de uma necessidade de mercado e a possibilidade de ganho financeiro estão entre os estímulos à invenção. Ao estudar as mulheres participantes da exposição de 1876, Deborah Jean Warner observou que um quarto delas era solteira ou viúva: para elas, uma invenção bem-sucedida poderia proporcionar segurança econômica. Warner concluiu que ganhar dinheiro era, principalmente, o que buscavam as expositoras.
Havia exceções, como as inventoras das comunidades Shaker. Seu sistema comunitário e não capitalista rejeitava o monopólio concedido pelas patentes. Sem registros, não é possível medir com precisão os nomes, números e índices de sucesso de inventores e inventoras Shaker.
Entretanto, muitas inventoras prosperaram financeiramente. Warner afirmou que 75% das patentes concedidas a mulheres entre 1895 e 1900 estavam gerando lucro. Olive Gunby escreveu em 1901, no Scientific American Supplement, que especialistas conhecedores do setor calculavam que pelo menos cem patentes femininas dos cinco anos anteriores rendiam quantias extraordinárias; outras, ainda não lançadas, prometiam sucesso semelhante.
Que tipos de invenções as mulheres produziam?
Gunby também tentou classificar inventoras e criações, abrindo a terceira discussão histórica: a posição social da mulher inventora. Observou que poucas mulheres sulistas recebiam patentes e que, em geral, inventavam nas áreas que conheciam melhor. Nas grandes cidades, registravam principalmente artigos ligados à elegância da roupa e à decoração da casa; no campo e em vilarejos, dispositivos práticos e economizadores de trabalho relacionados às mesmas atividades. Citou invenções para escritórios elaboradas por mulheres urbanas; agrícolas, por moradoras de áreas rurais; pedagógicas, por professoras; e industriais, por trabalhadoras das cidades fabris.
Fred Amram concordou que a experiência era um grande estímulo: se os horizontes de uma mulher criativa se limitassem à casa ou à fazenda, ela inventaria utensílios domésticos ou agrícolas. Da mesma forma, a crença Shaker na simplicidade e na vida equilibrada incentivava dispositivos que eliminassem tarefas penosas do cotidiano.
Outros historiadores observaram mudança na quantidade e nos tipos de invenção antes e depois da Guerra Civil. Ethlie Ann Vare e Greg Ptacek constataram predominância de artigos para manutenção da casa, mas notaram que, na década de 1870, o mundo já tinha recebido camas, escrivaninhas, cadeiras de balanço, mesas e banheiras dobráveis suficientes. Gunby sugeriu outro motivo para a diversificação: as mulheres passaram a desempenhar tarefas tradicionalmente masculinas quando os homens foram lutar na Guerra Civil. Esses historiadores concordavam que o aumento do acesso feminino à educação na segunda metade do século também contribuiu para multiplicar suas invenções.
Os números mostram esse crescimento. Entre 1855 e 1865, o total de patentes concedidas a mulheres aumentou 676,9% em relação à década anterior. Entre 1865 e 1875, houve aumento de 566,3%. Essas porcentagens precisam, porém, ser comparadas com os totais masculinos. A média anual feminina passou de 10,1 patentes no período 1855–1865 para 67,3 em 1865–1875. Entre homens, as médias equivalentes foram 3.767,4 e 11.918,4. Em 1910, como salientou Amram, as patentes femininas acumuladas somavam somente 8.596, ou 0,8% do total.
À luz desses fatores, que conclusões podem ser tiradas sobre a condição social das inventoras? A economia parece defini-las mais que a geografia. O Sul tinha pouca representação, mas a maioria das inventoras, em regiões urbanas ou rurais, pertencia à classe média branca. A literatura histórica utilizada neste estudo traz apenas uma referência a uma inventora afro-americana, que vendeu por dezoito dólares sua patente de espremedor de roupas por receio de que senhoras brancas não comprassem o produto se soubessem sua origem racial.
Como outra indicação da predominância de mulheres brancas de classe média, Warner identificou apoio crescente ao sufrágio e a movimentos reformistas. Segundo ela, essas ideias influenciaram suas invenções e a decisão de expô-las no Pavilhão das Mulheres, em vez de outros salões da Exposição do Centenário. Warner também descreveu mensagens publicadas com frequência no Scientific American, assegurando às leitoras que não havia nada de contrário à feminilidade em inventar. Como escrever romances, diziam os anúncios, a invenção podia acontecer na sala de estar, sem contato com fábricas ou mercados. Evidentemente, essas mensagens não se destinavam às trabalhadoras pobres.
Os historiadores traçaram, assim, o retrato de inventoras do século XIX que enfrentaram e frequentemente superaram obstáculos importantes. Com a aproximação do final do século XX, até que ponto esse retrato mudou? Boa parte da história das inventoras contemporâneas ainda não foi escrita. As trajetórias seguintes apresentam mulheres que atravessaram portas abertas por suas antecessoras, mostrando uma comunidade cada vez mais diversa e desafios que persistiam.
Beulah Henry, a “Lady Edison”
Beulah Henry começou a desenhar invenções quando era menina. Em 1912, aos 25 anos, recebeu sua primeira patente, de um congelador de sorvete. No ano seguinte, patenteou uma bolsa e uma sombrinha. Em 1924, podia afirmar que tinha invenções patenteadas em quatro países e presidia duas empresas recém-constituídas. Ao todo, conseguiu 49 patentes, a última concedida em 1970.
Apesar da carreira extensa, pouco se sabe sobre a vida pessoal de Beulah Henry. Descendente de Patrick Henry, nasceu em Raleigh, Carolina do Norte, em 1887, e cresceu numa família artística: o pai era especialista em arte, a mãe pintora e o irmão compositor. Entrou na universidade em 1909, estudando nos colleges Presbyterian e Elizabeth, em Charlotte. Supõe-se que tenha recebido formação em humanidades, pois admitia abertamente não dominar mecânica nem técnica.
Ela dizia não saber se essa ignorância era desvantagem ou vantagem. Não entendia a terminologia mecânica e receava dificultar o trabalho dos desenhistas a quem explicava suas ideias; nas fábricas onde já a conheciam, porém, os funcionários eram pacientes, pois confiavam em suas invenções.
Parece que nunca se casou e viveu em hotéis durante a vida, passando muitos anos em Nova York a partir da década de 1920. Contratava mecânicos, fabricantes de modelos e desenhistas para transformar descrições em protótipos funcionais. Os quartos que ocupava no Hotel Victoria ficavam cheios de modelos patenteados.
Fora da oficina, sua participação em instituições como o Museu de História Natural, a Audubon Society e a League for Animals sugere amor pela natureza e pelos animais. A imprensa popular comentava seus cabelos castanho-avermelhados e sua presença imponente. Jornalistas destacavam sua graça feminina; um deles escreveu que parecia mais com Mae West do que com a representação cinematográfica de um inventor. Sua criação entre artistas refletia-se nas aquarelas que pintava e na vontade de escrever. Contou a um repórter que considerava literatura e arte muito superiores aos mecanismos: havia pintado numerosas aquarelas, mas o mundo a chamava de inventora. É pelas invenções, ainda impressionantes em variedade e quantidade, que ela é lembrada.
Uma de suas criações mais bem-sucedidas foi uma sombrinha com coberturas removíveis fixadas por pressão. A ideia era permitir combinar facilmente o acessório com as roupas. Descobrir como prender as coberturas e fazê-las resistir ao vento não foi simples. Henry disse que os maiores fabricantes de guarda-chuvas do país consideravam a ideia impossível. Ela não acreditou neles: desenvolveu um processo que lhe rendeu aproximadamente cinquenta mil dólares do fabricante, e suas sombrinhas apareceram nas vitrines da loja Lord & Taylor.
Outra invenção de encaixe por pressão foi a “Latho”, uma esponja que se abria para receber um sabonete e depois fechava para retê-lo. Combinava toalhinha e sabonete e ainda flutuava. A fabricação apresentou outra dificuldade: Henry não encontrou máquina capaz de cortar as esponjas corretamente. Por isso, projetou uma. Para crianças, a Latho era vendida em formato de boneca.
Henry criou vários brinquedos pedagógicos, como o “Kiddie Klock”, para ensinar a ler as horas, e o jogo de tabuleiro “Cross Country”. Os participantes precisavam atravessar o país pelas principais rotas ferroviárias sem esbarrar em outro jogador — o encontro provocava retorno automático à estação de partida. Durante a viagem, aprendiam geografia e como percorrer os Estados Unidos de trem.
Outra criação foi a boneca “Miss Illusion”, com perucas intercambiáveis louras e morenas. Ao apertar um botão, os olhos mudavam de azul para castanho; o vestido era reversível, e um mecanismo interno fazia os olhos se fecharem.
Quando lhe perguntaram por que inventava, Henry respondeu que inventava porque não conseguia evitar. Sua imaginação fértil fez dela uma das inventoras mais prolíficas do começo do século XX e lhe rendeu o apelido de “Lady Edison”.
Hedy Lamarr e a comunicação por salto de frequência
Em 1913, um ano depois de Beulah Henry conseguir a primeira patente, nascia em Viena Hedwig Eva Maria Kiesler. Aos dezessete anos, fez seu primeiro filme, Money on the Street. Dois anos depois, ganhou notoriedade por aparecer nua correndo pelo bosque no filme tcheco Ecstasy. Casou-se com Fritz Mandl, rico negociante austríaco de armamentos, e participou de reuniões sobre projetos militares. Sua capacidade inventiva apareceu em sugestões para um torpedo controlado por rádio.
Quando a Áustria caiu sob o domínio alemão em 1938, Hedwig deixou o marido e o país e seguiu para Londres. Lá conheceu Louis B. Mayer, que a contratou para a MGM e lhe deu, além de uma nova vida, um novo nome: Hedy Lamarr. Em 1939, casou-se novamente, desta vez com o escritor Gene Markey.
Enquanto atuava em filmes como Algiers, White Cargo e Tortilla Flats, a inventora desejava ajudar o esforço de guerra. Retomou a ideia do torpedo guiado por rádio em conversas com o compositor George Antheil. Os dois conceberam um sistema de salto de frequência para impedir a interferência nos sinais usados para orientar o projétil. A técnica consiste em mudar a frequência do sinal de rádio de modo rápido e imprevisível, um pouco como ocorre ao pressionar o botão de busca de estações do rádio do carro. As alterações evitariam que inimigos interceptassem o comando ou desviassem o torpedo.
A solução proposta aproveitava a experiência artística dos dois, especialmente o trabalho de Antheil com eletrônica e música. Na década de 1920, ele havia composto Ballet Mécanique, com pianos mecânicos sincronizados. Pensou em adaptar o princípio ao salto de frequência de Lamarr. O transmissor projetado utilizava rolos de papel perfurado, como os desses pianos, para enviar sequências de alterações entre 88 frequências, correspondentes ao número de teclas de um piano. Um receptor instalado no torpedo teria um rolo perfurado idêntico e reconheceria apenas os sinais correspondentes aos do transmissor. O pedido de patente foi apresentado seis meses antes da entrada dos Estados Unidos na guerra e concedido em agosto de 1942.
O sistema não foi utilizado pelas Forças Armadas durante a guerra. Depois que a patente expirou, porém, componentes eletrônicos substituíram os rolos de papel, e o princípio de salto de frequência passou a ser usado em tecnologias contra interferência. Lembrada mais pela beleza do que pela inteligência, Lamarr brincou certa vez que qualquer garota podia parecer glamourosa: bastava ficar parada e parecer tola.
Bessie Blount e a autonomia dos pacientes amputados
Enquanto Lamarr esperava contribuir para encerrar a guerra, Bessie Blount procurava ajudar aqueles que haviam sofrido ferimentos graves. Afro-americana, nasceu por volta de 1914 em Hickory, Virgínia. Os detalhes de sua vida são escassos. Sabe-se que foi para o Norte e estudou no Union Junior College e no Panzer College of Physical Education, ambos em Nova Jersey, aperfeiçoando-se como fisioterapeuta em Chicago.
Trabalhando em hospitais de veteranos com soldados que tinham perdido os braços, começou a pensar em como dar-lhes mais independência. Ensinou alguns pacientes a usar os pés em tarefas antes feitas com as mãos, como datilografar no lugar de escrever à mão. Por sugestão de um médico, passou a desenhar um aparelho que permitisse a amputados alimentarem-se sozinhos.
Ela imaginou um equipamento elétrico que transportasse alimentos por um tubo, uma porção de cada vez, até uma peça colocada na boca e utilizável tanto por pacientes sentados quanto deitados. Ao morder um interruptor, o paciente comandaria a próxima porção. A partir desse ponto, a história torna-se menos clara. Em 1948, Blount, sob o nome Bessie Griffin, pediu patente de um “suporte portátil de recipiente” que realmente permitia a pessoas sem braços se alimentarem. Mas era um sistema bem mais simples, com uma estrutura apoiada no pescoço para sustentar tigela, prato ou xícara. A patente foi concedida em 1951.
Na época, Blount morava em Newark, Nova Jersey, trabalhava como fisioterapeuta e ensinava a disciplina no Bronx Hospital, em Nova York. Tentou, sem sucesso, convencer a Administração de Veteranos a adotar a invenção. Procurou vendê-la por conta própria e acabou transferindo os direitos ao governo francês em 1952, afirmando ter demonstrado que uma mulher negra podia inventar algo para benefício da humanidade.
Stephanie Kwolek e a criação do Kevlar
Bessie Blount procurava facilitar a vida de vítimas de ferimentos traumáticos. Stephanie Kwolek desenvolveu invenções que ajudaram a salvar vidas e evitar lesões. Muitos policiais protegidos por coletes de Kevlar são prova disso.
Kwolek nasceu em 1923, em New Kensington, Pensilvânia. Na infância, gostava de explorar a natureza com o pai e recolher flores silvestres e sementes para guardar num álbum. Também se interessou por tecnologia ao costurar roupas. Lembrava que, aos seis anos, adorava usar a máquina de costura da mãe, embora fosse proibida: aproveitava as saídas dela para fazer compras e costurava escondida.
Em 1942, entrou no Carnegie Institute of Technology, atual Universidade Carnegie Mellon. Estudou química como área principal e biologia como secundária, esperando ingressar depois na faculdade de medicina. Para financiar os estudos, conseguiu emprego na DuPont. Mas nunca concretizou esse plano.
Kwolek recordava que, quando entrou na DuPont em 1946, as mulheres enfrentavam grandes dificuldades na ciência. As contratadas por laboratórios costumavam permanecer apenas alguns anos e eram incentivadas a migrar para campos considerados femininos. Sua promoção era mais lenta que a dos homens; até doutoras conhecidas dela deixaram a indústria depois de dois ou três anos, muitas vezes para ensinar em faculdades femininas. Ela foi uma das que decidiram permanecer.
Seu trabalho concentrava-se nos polímeros, moléculas de cadeias longas que constituem a base de fibras sintéticas como o náilon. Procurava polímeros solúveis em temperaturas baixas, para que pudessem ser transformados em fibras à temperatura ambiente. Quando recebeu, em 1964, a tarefa de pesquisar polímeros muito resistentes e estáveis, estudou soluções de cristais líquidos, nas quais as moléculas ficam alinhadas numa direção, como contas num colar.
Os experimentos produziram uma solução diferente de todas as que conhecia. Enquanto a maioria das soluções poliméricas era espessa e transparente, semelhante a xarope, aquela era fina e turva. Sua aparência leitosa preocupou o técnico que deveria colocá-la na máquina de produzir fibras, a fieira. Ele temia que partículas sólidas entupissem seus orifícios minúsculos. Kwolek convenceu-o de que a solução podia ser fiada com segurança. As fibras resultantes eram excepcionalmente fortes — mais resistentes que o aço.
Hoje, o Kevlar aparece em produtos tão diversos quanto coletes resistentes a projéteis, cabos que fixam plataformas petrolíferas ao fundo do mar e esquis. Kwolek aposentou-se em 1986, com dezessete patentes, e entrou para o Hall da Fama dos Inventores em 1995. Não se arrependeu de ter deixado de cursar medicina. Observou que a maioria dos químicos trabalha a vida inteira sem participar de uma descoberta capaz de produzir tantos benefícios quanto o Kevlar.
Jeanie Low e o banquinho dobrável Kiddie Stool
Outra inventora que estava no começo de uma carreira promissora era Jeanie Low, de Houston, Texas. Ainda adolescente na época em que o texto foi escrito, recebeu em 1992 a patente norte-americana nº 5.094.515 por seu “Kiddie Stool”. Frustrada por não alcançar a pia do banheiro e motivada depois que o banquinho de plástico que usava quebrou, decidiu criar um banquinho dobrável, preso por dobradiças ao armário sob a pia.
Seus pais a levaram a uma loja de materiais de construção. Jeanie escolheu madeira e explicou ao funcionário como gostaria que cortassem as peças e para que serviriam. O homem disse que aquilo não funcionaria. É evidente que estava enganado.
Enquanto mulheres enfrentaram e derrubaram estereótipos ao longo daquele século, inventoras também desafiaram classificações fixas. Seu vínculo comum é a curiosidade inata que as impulsiona a procurar algo novo e melhor. O caminho ainda é difícil. Na época em que este trabalho foi preparado, apenas cerca de 10% das patentes eram concedidas a mulheres. Esperava-se que conhecer essas histórias inspirasse futuras gerações de “Lady Edisons”.
Este estudo foi apresentado originalmente num seminário para professores promovido pelo Lemelson Center em julho de 1999.