Atrações extraordinárias! Surpreenda-se! Imperdível!
Motores ocultos dão vida a monstros pré-históricos. Uma vaca robótica muge e produz leite. Um monstro mecânico engole uma garota num palco de cinema. Esses espetáculos e muitos outros foram criados pela Messmore & Damon, empresa de Nova York especializada em vitrines e carros alegóricos. Fundada em 1916, a dupla dinâmica e criativa formada por George H. Messmore e Joseph Damon projetava e construía carros alegóricos, dioramas para museus, instalações para exposições, vitrines de lojas de departamentos, cenários e apresentações para clientes empresariais, cinema, teatro e televisão. A maioria dos trabalhos destinados a desfiles e lojas de departamentos incluía dispositivos mecânicos animados.
A Messmore & Damon deu vida a dinossauros enormes, tigres, mastodontes, dragões, outros monstros e até vacas. Uma de suas criações foi uma reprodução mecanizada de um dinossauro em tamanho natural, Amphibious Dinosaur Brontosaurus (também chamado de “Dolores” ou “Dino”), com 48 pés de comprimento, nove pés de altura e quatro mil libras de peso. Era capaz de rir, respirar, revirar os olhos, sacudir a cabeça e mover as mandíbulas. Era uma atração imperdível. Criado para a Exposição Internacional Century of Progress (1933–1934), na apresentação “The World a Million Years Ago”, Dino foi construído com camadas de tela de arame, lona, ratã, papel machê e tinta. Um operador humano controlava uma complexa combinação de motores, correntes, rolamentos, engrenagens, manivelas, contrapesos e juntas universais que funcionavam em conjunto para criar o espetáculo. O dinossauro podia mover a cabeça em todas as direções e tinha mandíbula articulada. A patente de George Messmore de 1933 (nº 1.898.587) afirmava que “a mandíbula se destinava a segurar uma dançarina, permitindo que o animal a levantasse para fins de entretenimento”. Depois da exposição, Dino percorreu o circuito de atrações, divertindo milhares de pessoas em lojas de departamentos e outros lugares. Inspirou até um concurso de redação infantil com a pergunta: “O que aconteceria se Dino vivesse hoje?”.
Coloque os pinos! Derrube todos! A tecnologia automática das pistas de boliche
Segundo o United States Bowling Congress, órgão nacional de administração do boliche reconhecido pelo Comitê Olímpico dos Estados Unidos, 71 milhões de pessoas jogaram boliche pelo menos uma vez em 2010, tornando-o o esporte com maior participação no país. Comecei a jogar ainda criança, graças aos meus pais, que participavam de uma liga semanal em pistas do norte de Wisconsin e do interior do estado de Nova York. Meu pai e meu tio, aliás, trabalharam como arrumadores de pinos — os chamados pin boys — no Lakeview Recreation, em Chicago, e no Red Ray Lanes, em Kewaunee, Wisconsin, respectivamente. E ninguém lançava a bola como minha mãe. Ela era tão boa que chegou a aparecer brevemente, embora sem sucesso, no programa Bowling for Dollars, da televisão de Rochester. Recentemente joguei algumas partidas e comecei a pensar em como a mecanização mudou o boliche. Os registros da AMF Automatic Pinspotter, no Archives Center, documentam parte dessa história e me permitiram conhecer a história do “cérebro elétrico” do boliche.
O boliche mudou ao longo dos anos, em grande parte graças à tecnologia. Os mecanismos automáticos para posicionar pinos foram os primeiros de muitos avanços que transformariam o jogo. Outros recursos, como o retorno automático da bola, o indicador iluminado de pinos, a pontuação automática e a detecção de infrações na linha de falta por uma célula fotoelétrica, tornaram o jogo mais eficiente e ajudaram a indústria do boliche a prosperar.
Boliche é simples, não é? Basta lançar uma bola de aproximadamente seis a dezesseis libras por uma pista e derrubar dez pinos. Se você tiver sorte, evitará jogar a bola na canaleta e derrubará alguns deles. Depois, os pinos derrubados desaparecerão, os que permaneceram de pé serão recolocados na posição, e sua bola reaparecerá como por mágica no mecanismo de retorno, para que você possa tentar de novo. Antes de 1946, não era assim. A tecnologia de posicionamento automático demorou a se popularizar. Aparelhos como a invenção de John Kilburn, de 1908 (patente nº 882.008), foram tentativas pioneiras de mecanizar o processo. Antes da mecanização, pessoas — em geral rapazes — colocavam os pinos no lugar. Além de extremamente ineficiente, era um trabalho cansativo, sujo e mal remunerado. Patentes posteriores de Kilburn, de 1911, 1917 e outros anos, não foram adotadas. Em 1941, porém, Gottfried “Fred” Schmidt, de Pearl River, Nova York, patenteou um aparelho para posicionar pinos de boliche (nº 2.208.605) e um elevador por sucção (nº 2.247.787). Como Schmidt observou no pedido, os aparelhos anteriores não funcionavam satisfatoriamente porque “não conseguiam posicionar os pinos com precisão nem agarrar os pinos que permaneciam de pé”. Schmidt sabia do que falava. Também jogador de boliche, recebeu doze patentes de equipamentos para posicionar pinos. Todas foram cedidas à Bowling Patents Management Corporation, posteriormente comprada pela American Machine & Foundry Company (AMF), o que deu à AMF os direitos de fabricar e utilizar a tecnologia. A AMF já estava acostumada a diversificar seus negócios e enfrentar projetos de mecanização. Em 1900, fabricava máquinas para o processamento de tabaco; nos anos 1920, máquinas de embalar pães; nos anos 1930, equipamentos para fabricar gravatas. O boliche combinava com seus planos.
A máquina de posicionar pinos pesava duas mil libras e operava a uma velocidade de sete a dez partidas por hora, conforme o ritmo dos jogadores. O equipamento possuía oito conjuntos principais: o amortecedor, que parava a bola; o elevador de bolas, que as levava até uma altura suficiente para retornarem pela gravidade; a varredora, que removia os pinos derrubados da pista; a esteira, que transportava os pinos da pista para o elevador de pinos; o elevador de pinos, uma roda que os erguia e entregava ao distribuidor; o distribuidor, que recebia os pinos da roda e os entregava à mesa; a mesa, onde os pinos eram posicionados para a jogada seguinte; e o sistema elétrico, que selecionava o ciclo de operação da máquina. Depois que o jogador lançava a bola e derrubava pinos, a estrutura acima deles descia e, por meio de ventosas, agarrava os que ainda permaneciam de pé. Uma barra então descia e varria os pinos caídos, chamados deadwood. Eles seguiam por uma correia transportadora instalada no fosso e entravam em um cilindro móvel, que os levava ao topo da máquina. Os pinos que permaneciam presos pelas ventosas eram recolocados na pista, enquanto a bola retornava ao jogador por outro sistema transportador. Por fim, os pinos eram reposicionados e o processo podia recomeçar.
Em 1946, a AMF apresentou ao público o novo posicionador automático, conhecido como Automatic Pinspotter (modelo 82-30), durante o torneio do American Bowling Congress (ABC), em Buffalo, Nova York. A empresa não conseguiu demonstrar a máquina no próprio torneio e, por isso, instalou-a num prédio próximo para divulgar sua eficiência. Somente em 1952 o Pinspotter estaria pronto para uso amplo e alcançaria aceitação. Em 1958, a AMF já havia alugado quarenta mil unidades, mecanizando de fato os centros de boliche dos Estados Unidos.
Portanto, se faz tempo que você não joga boliche, saia e dispute algumas partidas!