Uma das grandes vantagens de trabalhar no Lemelson Center do Smithsonian é poder conhecer inventores e inovadores de muitas áreas. Recentemente, tive o prazer de conversar com Frank Nasworthy, inovador do skate, sobre o desenvolvimento das rodas de uretano “Cadillac Wheels”, que contribuiu para o renascimento do skate nos anos 1970.
Antes de contar sua história, é importante contextualizar. O trabalho de Nasworthy ocorreu quase uma década depois de a primeira onda de popularidade do skate subir rapidamente e logo despencar. Segundo uma reportagem da Sports Illustrated de 1975, intitulada “Wheeling and Dealing”: “Dez anos atrás, havia muitos armazéns cheios de skates. A moda começara nas cidades litorâneas do sul da Califórnia, onde crianças pregavam rodas de patins em pequenas pranchas de madeira e passavam os dias em que o mar estava parado assustando motoristas que passavam. A mania avançou para o interior e, durante um ano, ganhou dinheiro qualquer um que conseguisse equipar uma fábrica suficientemente depressa. Isso foi em 1965. Naquele ano, venderam-se cinquenta milhões de skates. Fabricantes patrocinavam equipes; um promotor conseguiu lotar um parque em Anaheim cobrando cinco dólares por pessoa pelo que chamou de Campeonato Internacional de Skate; ortopedistas cunharam a expressão ‘fratura de skate’ para um cotovelo estilhaçado. E em janeiro de 1966 tudo havia acabado. O skate era um bom brinquedo, mas a garotada levara-o ao limite e passara a buscar outros desafios”.
Um surfista longe do mar
Para o skate voltar a crescer, alguém precisava desenvolver melhorias inovadoras nos equipamentos existentes, que eram limitados e limitadores. Nasworthy não parecia o candidato mais óbvio. Cresceu mudando de lugar por ser filho de militar — seu pai, o capitão George Franklin Nasworthy, da Marinha dos Estados Unidos, atuou como representante de ligação da OTAN junto ao Estado-Maior Conjunto — e acabou no norte da Virgínia, onde se formou na Annandale High School. Em 1969, começou a estudar engenharia no Virginia Polytechnic Institute (VPI), hoje conhecido como Virginia Tech. Na primavera do primeiro ano, foi suspenso por desobediência civil ao protestar contra os tiros em Kent State e a Guerra do Vietnã.
Frank disse: “Naquele momento da minha vida, eu era um surfista preso longe do mar”. Com o amigo Bill Harward, tirou seu antigo skate da garagem e percorreu Washington, D.C., e o norte da Virgínia. Recordou: “Andávamos de skate durante as noites dos dias úteis e íamos surfar em Cape Hatteras nos fins de semana, até que o frio do inverno tornou isso impossível”.
No verão de 1970, Harward levou Nasworthy à fábrica Creative Urethanes, nas proximidades, para visitar um amigo, Richard Heitfield, cujo pai, Vernon, era o proprietário. Entre outros produtos, a fábrica produzia rodas de patins de poliuretano. Vernon Heitfield as havia inventado inicialmente para que seu filho mais novo, Tom, pudesse patinar dentro de casa, no porão. Durante a visita, Nasworthy e Harward viram algumas rodas rejeitadas e receberam permissão para levá-las. Em casa, tentaram instalar essas rodas de uretano em seus skates e perceberam imediatamente a melhoria: proporcionavam um deslocamento mais suave e maior aderência.
O encontro com as rodas de uretano
Como se veria depois, essa experiência mudaria a trajetória de Nasworthy — e a do skate.
No verão seguinte, Nasworthy viajou com Harward à Califórnia para visitar amigos. Enquanto Harward ficou em Los Angeles, Nasworthy mudou-se para Encinitas, no condado de San Diego, principalmente para surfar, embora também gostasse de andar de skate. Frustrado com as rodas existentes de aço e argila, pediu ao pai que lhe enviasse o skate equipado com as rodas da Creative Urethanes, que deixara em Annandale. Como explica Nasworthy: “As rodas da Creative Urethanes eram singulares porque usavam um ‘conjunto de rolamentos de esferas soltas’. Esse tipo de roda permitia adaptar facilmente as rodas da Creative Urethanes aos skates velhos que todo mundo tinha jogados na garagem. Esse foi um aspecto fundamental que ligou a roda da Creative Urethanes à base já existente de skates antigos”.
Ele pediu à Creative Urethanes que fabricasse rodas para skate conforme suas especificações e criou a Cadillac Wheels Company. Para divulgar as novas rodas, tentou vendê-las às lojas de surfe ao longo da costa da Califórnia, mas poucas se interessaram porque ninguém entendia do que elas eram capazes. A novidade se espalhou primeiro pelo boca a boca e pela distribuição gratuita de centenas de rodas, depois por anúncios em revistas de surfe, até se propagar rapidamente. As novas Cadillac Wheels não eram apenas extremamente duráveis: também proporcionavam maior suavidade, aderência e liberdade de movimento.
Nasworthy me disse: “As rodas deram aos skatistas a capacidade de fazer em terra coisas que os surfistas sonhavam em fazer no oceano com suas pranchas longas em evolução [...]. Isso literalmente levou a indústria de pranchas de surfe a desenvolver projetos que permitissem aos surfistas realizar na água aquilo que agora conseguiam fazer em terra com seus skates”. Naturalmente, o sucesso rápido fez com que outras empresas do setor também começassem a fabricar skates com rodas de uretano.
A expansão e a nova queda do mercado de skates
Outras invenções e inovações para skate surgiram rapidamente. Entre elas estavam os trucks, ou eixos, mais responsivos — os conjuntos metálicos de suspensão que prendem as rodas ao skate —; rolamentos vedados, que protegiam as rodas contra sujeira e as tornavam mais confiáveis e seguras, pois as esferas soltas às vezes escapavam; o uso de fibra de vidro, plástico moldado e outros materiais no lugar da madeira; e a introdução de kicktails no formato das pranchas, que ajudavam os skatistas a girar e mudar de direção. A mania dos anos 1960 estava de volta, com a popularidade do skate crescendo muito. Meninos e meninas utilizavam as pranchas não apenas para se divertir e extravasar criatividade, mas também como meio de transporte mais barato e fácil de carregar que uma bicicleta.
Depois de reacender a febre do skate, Nasworthy decidiu licenciar suas rodas à Bahne and Co., que vendia skates Bahne equipados com rodas Cadillac. No auge, comercializavam até vinte mil skates por mês. Como descreveu um artigo de 1984: “O cheiro do dinheiro atraiu predadores de todo tipo, que começaram a rondar a indústria, famintos por uma parte dos ganhos [...]. Oportunistas compravam rodas de segunda qualidade de fabricantes respeitáveis e as vendiam por mais do que valiam as rodas de primeira. Em 1979, a indústria do skate começou outra queda, esvaziada pela própria ganância. O skate atingiu o fundo do poço em 1980. As empresas que não tinham compromisso com o esporte saíram do mercado. A revista Skateboarder deixou de ser publicada”.
A carreira de Nasworthy depois das Cadillac Wheels
Nasworthy já havia decidido que era hora de seguir em frente. Voltou à universidade e obteve o diploma de bacharel em ciências em mecânica aplicada, que havia adiado, na Universidade da Califórnia em San Diego, em 1984. Depois desenvolveu outra carreira inventiva como engenheiro mecânico, principalmente na Hewlett Packard, onde ajudou a desenvolver a primeira impressora térmica a jato de tinta de grande formato. Também apareceu como coinventor, às vezes sob o nome George Franklin Nasworthy Jr., em diversas patentes, entre elas a norte-americana nº 5.530.459, relacionada ao manuseio de papel em impressoras.
Ele já não anda de skate, mas transmitiu aos filhos e netos o amor pelo esporte. Contou-me, porém, que até hoje continua tentando surfar.
Como resumiu o Skateboarding Hall of Fame and Museum ao incluí-lo entre seus homenageados em 2012: “Frank Nasworthy abriu caminho para o segundo grande crescimento do skate nos anos 1970. As novas Cadillac Wheels proporcionaram maior aderência e abriram as portas para o estilo de surfe executado com o corpo próximo ao chão, permitindo a evolução para rampas inclinadas e, pouco depois, a prática vertical em piscinas. Na prática, Frank Nasworthy ajudou o skate a evoluir ao literalmente reinventar a roda”.