Neste momento, no Spark!Lab, estamos explorando o tema “Comer”. Ver os visitantes inventarem novas maneiras criativas de cultivar, colher, transportar e cozinhar alimentos despertou minha curiosidade sobre os inventores e invenções por trás de muitas refeições do meu dia a dia. Ao me aprofundar em tudo o que envolve a alimentação, um antigo comercial de televisão chamou minha atenção. O anúncio da Quaker Oats dos anos 1950 começa com um ator de jaleco branco, no papel do professor Alexander Anderson, acendendo um canhão de brinquedo com uma vela. O narrador adverte: “Os colegas temem que o bondoso professor tenha perdido a razão”. Mas não há motivo para preocupação, pois “do canhão do professor saiu uma descoberta gloriosa: Quaker Puffed Rice e Puffed Wheat, os cereais disparados por canhões”. A “Abertura 1812”, de Tchaikovsky, toca enquanto tempestades de cereais expandidos saem dos canhões e crianças saboreiam grandes colheradas dessas “pequenas nuvens nutritivas de prazer”.

Quem era esse professor Anderson? Ele realmente cozinhava cereais em canhões de brinquedo? Eu precisava saber mais! Embora a história real não seja tão extravagante quanto sugere o comercial, descobri que a trajetória de Anderson constitui um episódio fascinante da história do café da manhã americano.

A explosão de amido de dezembro de 1901

Era dezembro de 1901, e o dr. Alexander Anderson tinha uma ideia. O botânico queria provar que os grânulos de amido de milho armazenavam uma quantidade infinitesimal de água em seus núcleos centrais. Depois de meses de experiências, percebeu que uma pequena explosão poderia produzir os resultados desejados. Colocou amido em pó em tubos de vidro, vedou-os e levou os recipientes herméticos a um forno. Depois aqueceu o material a mais de 400 graus Fahrenheit. Retirou um tubo ainda quente e golpeou-o com um martelo — pá! Os grânulos de amido se transformaram numa substância branca, porosa e fofa. A pressão dentro do tubo aumentara com a temperatura, enquanto a vedação hermética impedira a água contida no amido de ferver. Quando o tubo se rompeu, a pressão caiu e a água no amido imediatamente vaporizou e se expandiu, produzindo amido de milho expandido.

Em 1902, Anderson realizou outras experiências para expandir arroz, trigo e outros amidos e sementes. O botânico sabia que havia feito mais do que comprovar sua hipótese: sua invenção abria uma oportunidade no crescente mercado de cereais frios para o café da manhã.

Os primeiros cereais prontos para consumo

Os americanos tiveram seu primeiro contato com esse alimento, hoje tão comum, em meados do século XIX, nos estabelecimentos de saúde conhecidos como sanatórios, que promoviam exercícios físicos, nutrição e alguns tratamentos médicos bastante heterodoxos. Em 1863, James Caleb Jackson, proprietário do sanatório “Our Home on the Hillside”, em Danville, Connecticut, inventou o primeiro cereal seco pronto para consumo no café da manhã. Chamado Granula, o produto combinava com a dieta vegetariana restauradora e saudável defendida por Jackson. A receita era simples: farinha integral de trigo misturada com água, assada, quebrada em pedaços e assada novamente. Os fragmentos duros como tijolos só podiam ser comidos depois de permanecer pelo menos vinte minutos de molho em leite ou água.

Por menos apetitoso que pareça, o insosso Granula de Jackson inspirou uma sucessão de imitadores e inovadores. Em 1877, o dr. John Harvey Kellogg, também proprietário de um sanatório, começou a oferecer aos pacientes sua versão, chamada Granola (trocando o “u” de Jackson por um “o” para evitar um processo judicial). Com a ajuda do irmão W. K. Kellogg, empresário perspicaz que mais tarde fundaria a marca de cereais com seu sobrenome, o dr. Kellogg começou a anunciar e vender o produto fora do sanatório. Em 1889, vendia duas toneladas de granola por semana. Seis anos depois, os irmãos inventaram uma alternativa mais agradável ao paladar: os flocos de milho. Nos anos seguintes, outras empresas surgiram para atender à crescente popularidade dos cereais, entre elas a Natural Food Company (criadora do Shredded Wheat), a Post e a Quaker Oats.

À medida que os cereais se difundiam por cada vez mais residências americanas, Anderson acreditava no potencial comercial de sua invenção. Em 1902, recebeu a patente norte-americana nº 707.892 por “um método seco de expansão de materiais amiláceos de todos os tipos, para torná-los porosos, aumentando assim seu valor nutritivo e fazendo com que sejam digeridos de maneira mais rápida e completa”. No ano seguinte, assinou um acordo com a Quaker Oats para iniciar a produção em larga escala de cereais de arroz e trigo expandidos.

A demonstração de Anderson em St. Louis

Em 1904, Anderson viajou a St. Louis para promover sua invenção na Exposição Universal. A feira oferecia um palco impressionante para a estreia pública de seu trabalho. Os organizadores haviam erguido mais de 1.500 edifícios de um branco reluzente em uma área de 1.200 acres. Uma roda-gigante monumental, uma grande lagoa com gôndolas e onze “palácios” imponentes marcavam a paisagem. A cena era, nas palavras de um visitante, “indescritivelmente grandiosa”. Inventores famosos, como Thomas Edison e Alexander Graham Bell, estavam presentes, junto de aproximadamente 20 milhões de outras pessoas que visitaram o local durante os sete meses de funcionamento da exposição.

Um espaço tão grandioso exigia uma demonstração dramática. Anderson levou uma versão nova e maior de seu canhão original para expandir grãos. Oito tubos de bronze com vinte polegadas de comprimento substituíam os pequenos recipientes de vidro, e um mecanismo de disparo novo tomava o lugar do martelo. Anderson carregou cada cilindro semelhante a um canhão com seis libras de arroz cru, vedou-os e começou a girar o equipamento sobre o calor. Apontou o dispositivo para uma grande gaiola e — bum! Uma chuva de arroz expandido foi lançada para dentro da gaiola, surpreendendo e encantando o público. Assistentes ensacavam o arroz e o vendiam aos espectadores por cinco centavos. Ao longo da exposição, Anderson e sua equipe repetiram a demonstração explosiva, expandindo mais de 20 mil libras de arroz e vendendo 250 mil embalagens de cereal.

A popularização dos cereais expandidos

A participação de Anderson na Exposição Universal ajudou a popularizar os cereais expandidos. A Quaker Oats decidiu colocar o inventor e seu trabalho no centro da estratégia de divulgação do produto. Um anúncio de 1914 na Ladies' Home Journal afirmava que as pessoas serviam Puffed Wheat e Puffed Rice “em um milhão de refeições ou mais por dia [...]. E, porque este homem [Anderson] fez os grãos explodirem, todas essas pessoas desfrutam diariamente de um prazer que nenhum outro cereal proporciona”. Um anúncio de 1930 chamava o produto de “alimento disparado por canhões da paz”, enquanto outro mostrava Puffed Rice saindo de canhões e proclamava o cereal “A oitava maravilha do mundo”.

Ao longo da vida, Anderson continuou aperfeiçoando sua invenção. Até morrer, em 1943, havia obtido 25 patentes nos Estados Unidos, inclusive uma de 1933 para um canhão de expansão contínua. A Quaker Oats chamou a pesquisa e o desenvolvimento dos diferentes canhões de “Presente do professor Anderson”. Todos nós que já apreciamos uma tigela de Cheerios, Rice Krispies, Kix ou qualquer uma das muitas outras variedades de cereais expandidos que passaram a caracterizar a produção americana do século XX provavelmente concordaríamos!