Boris Artzybasheff e as máquinas com características humanas
O artista e escritor Boris Artzybasheff (1899–1965), nascido na Ucrânia, era conhecido principalmente por seu trabalho como ilustrador, sobretudo de livros infantis, entre eles Verotchka’s Tales (1922), Gay-Neck, the Story of A Pigeon (1928), Three and the Moon: Legendary Stories of Brittany and Normandy Provence (1929), Poor Shaydullah (1931) e Seven Simeons: A Russian Tale (1937). Mas foi o trabalho de Artzybasheff como ilustrador de capas de revistas — especialmente Fortune, Life e Time — e de anúncios de máquinas e produtos industriais na década de 1940 que lhe trouxe grande notoriedade.
Filho do dramaturgo Mikhail Petrovich Artsybashev e de Anna Vasilyevna Kobushko, Boris estudou na Escola Príncipe Tenishev, em São Petersburgo, onde aprendeu arte. Diz-se que foi convocado para o Exército Branco Ucraniano, anticomunista, que lutava por uma república ucraniana separatista. Depois da derrota para o Exército Vermelho, pró-comunista, Artzybasheff desertou. Chegou a Ellis Island, Nova York, sem conhecer ninguém e sem dinheiro, em 17 de junho de 1919, a bordo do SS Vladimir, integrante da frota russa de voluntários. O SS Vladimir havia partido de Novorossiysk, cidade portuária do Mar Negro e, segundo a lista de tripulantes e passageiros, Artzybasheff embarcou em Odessa como “tripulante” e “aprendiz”. Tornou-se cidadão norte-americano por volta de 1925 e se casou com Elisabeth S. Snyder em 19 de fevereiro de 1930.
Depois de trabalhar como ilustrador de livros infantis, gravador, pintor e até cenógrafo, mudou de rumo no fim da década de 1930 e começo da de 1940, passando a produzir exclusivamente ilustrações para revistas. Sua arte começou a se concentrar na era das máquinas. Os anos do pós-guerra trouxeram maior consumo de bens pela classe média norte-americana, e Artzybasheff ilustrou muitos desses produtos. As empresas criavam eletrodomésticos, motores, foguetes, televisores e computadores, entre outros objetos, para consumidores que às vezes temiam a tecnologia. A arte de Artzybasheff era justamente o veículo para apresentar e explicar essas inovações.
Atribuir características humanas às máquinas — antropomorfizá-las — era um tema recorrente em seu trabalho. Criou anúncios para empresas como Shell Oil, Avco, American Airlines, Union Carbide and Carbon Corporation e Parke Davis and Company. As peças publicitárias retratavam produtos tecnológicos e industriais como fortes e confiáveis, atribuindo-lhes qualidades de seres vivos que os tornavam mais fáceis de compreender e com os quais o público podia se identificar, o que supostamente estimulava as vendas. “A partir de 1945, Artzybasheff empregou seu estilo antropomórfico singular e grotesco principalmente em trabalhos comerciais e publicitários” (Patsiaouras).
Seu jipe antropomorfizado, equipado com um motor Lycoming, apareceu na revista Fortune em 1952. Com pernas poderosas, braços semelhantes a tentáculos e dedos longos, musculosos e eletrificados, o personagem sugere que o motor do jipe podia enfrentar qualquer terreno e ir a qualquer lugar, a qualquer momento. Os olhos expressivos suavizavam a tecnologia do motor, conferindo-lhe aspecto brincalhão. “Quando a Lycoming incorporou engrenagens resistentes e pioneiras a uma nova série de tratores, Artzybasheff acrescentou olhos, boca e dois pulsos de aço à máquina para personificar força e durabilidade” (Patsiaouras). Artzybasheff gostava de explorar como as máquinas funcionavam e quais tarefas humanas reproduziam. Em seu livro de 1954, As I See, escreveu: “Fico maravilhado com a força, a precisão e a disposição das máquinas para executar qualquer tarefa, por mais árdua ou monótona que seja. Gosto de máquinas” (Williams).
Embora seu foco principal fossem anúncios relacionados a máquinas, Artzybasheff também entrou no mundo dos mapas, da geografia e da guerra psicológica, trabalhando para o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Num mapa publicado pela Life em 1944, retratou doenças tropicais que afligiam o mundo. Só podemos imaginar como teria representado o vírus da COVID-19 que hoje aflige nosso mundo.
O Archives Center não possui materiais de arquivo de Boris Artzybasheff. O anúncio do motor Lycoming foi encontrado durante uma pesquisa demorada na Coleção Warshaw de Cultura Empresarial Americana, série Máquinas. Essa série é apenas uma parte de uma vasta coleção de materiais efêmeros, literatura comercial e outros impressos reunidos por Isadore Warshaw, livreiro da cidade de Nova York.
Inventos para aproveitar a natureza e o ar livre
Os pássaros cantam, o sol brilha, as flores desabrocham, o tempo está agradável — ou até muito quente —, e a pandemia continua incentivando todos nós a sair de casa. Neste verão, assim como no anterior, mais pessoas estão aproveitando atividades recreativas ao ar livre, aprendendo a acampar ou fazer caminhadas com mochila, nadar ou esquiar na água, cuidar do jardim ou fazer um piquenique com amigos e familiares no parque da região. Embora algumas pessoas considerem os equipamentos dessas atividades algo natural, para quem está começando eles podem parecer intimidadores e caros. Certamente, a maioria dos iniciantes não precisa de uma calça de 150 dólares para caminhar alguns quilômetros na floresta, mas o comércio de artigos para atividades externas está cheio de invenções destinadas a levar todos nós à natureza com segurança, conforto e consciência.
O campo da recreação ao ar livre está repleto de invenções antigas. Afinal, o que hoje chamamos de esporte ou passatempo já foi o modo de vida de muitas culturas, que, em diferentes graus, viviam, viajavam, obtinham e preparavam alimentos e trabalhavam sem a infraestrutura disponível atualmente. Canoas de casca de bétula serviram de modelo para canoas usadas até hoje. O contato europeu com povos indígenas norte-americanos, muitos dos quais utilizavam raquetes de neve, popularizou esse recurso, embora ele já fosse usado em grande parte do mundo durante séculos. O Museu Nacional do Índio Americano, do Smithsonian, possui vários exemplos de óculos de neve esculpidos em marfim para minimizar o brilho do sol.
Muitas invenções que tornam as atividades recreativas na natureza mais agradáveis e seguras são baseadas em materiais. Se você já pensou que nadar de calça jeans não seria tão ruim — e depois tentou —, provavelmente aprecia a invenção tanto do elastano quanto das máquinas capazes de produzir em massa tecidos de malha elástica, sem falar, é claro, das mudanças nos padrões de moda de homens e mulheres. Atualmente, os trajes de competição de natação continuam explorando a interseção entre materiais e força humana.
Uma invenção que ganhou espaço no mercado de equipamentos para atividades externas na última década é a penugem hidrofóbica. Popular tanto na recreação ao ar livre quanto na moda, a penugem é usada como isolante térmico em sacos de dormir — nos quais seu peso reduzido a torna preferível ao isolamento sintético — e em jaquetas acolchoadas, apreciadas tanto por quem está no meio da floresta durante o inverno quanto por quem espera o ônibus numa manhã fria. A penugem funciona muito bem porque retém ar, mas seu grande defeito durante anos foi perder o volume quando molhada. A penugem hidrofóbica recebe um revestimento químico para aumentar o volume capaz de reter calor, mesmo quando está úmida.
É claro que todo passatempo tem sua parcela de engenhocas. Divertidas, baratas e potencialmente muito úteis — ou às vezes completamente inúteis —, são aquelas coisas que você não sabia que precisava até vê-las e, agora, precisa ter uma.
Quero dizer: quem não gosta de um marshmallow bem tostado? Só quem prefere incendiar seus marshmallows! Sem julgamentos. Bem, talvez algum julgamento. Um dispositivo patenteado em 1973 por John Castronuovo, patente norte-americana nº 3.744.403, levou o ato de tostar marshmallows a um novo nível de precisão. Como afirma a patente, a invenção consistia “em uma carcaça com base na qual um motor elétrico alimentado pela corrente doméstica aciona um trem de engrenagens para fazer girar uma plataforma horizontal que passa sob uma cobertura utilizada como forno, onde ficam resistências elétricas, sendo que a plataforma sustenta hastes verticais nas quais se espeta um marshmallow, e cada haste gira lentamente enquanto a plataforma gira, de modo que todos os lados do marshmallow fiquem voltados para as resistências do forno durante o processo de tostagem”. Uau. Um carrossel de marshmallows.
Mas, se você não levou um gerador portátil para a floresta, sempre poderia colocar na mochila o tostador de marshmallows criado por Charles Lewis em 1939, patente norte-americana nº 2.183.938. Sua invenção era “um utensílio culinário ou tostador [...] especialmente projetado para uso em piqueniques, frituras, assados e outros passeios ao ar livre [...] para tostar e assar marshmallows, salsichas e produtos semelhantes sobre uma chama aberta”. E, se agora seu apetite foi despertado para conhecer mais invenções destinadas a tostar marshmallows, D. Scot Colby incluiu uma breve história delas em seu pedido de patente norte-americana de 2009 nº 209/0241784, relativo a seu próprio “Aparelho e Método para Tostar Marshmallows”. Fascinante.
Se a jardinagem é sua maneira de aproveitar a natureza, mas você detesta replantar e desperdiçar recipientes de plástico, que tal esterco bovino seco? Os irmãos Matt e Ben Freund, produtores de leite, tinham excesso de esterco de vaca rico em nutrientes e desenvolveram e patentearam um processo para secá-lo e moldá-lo em recipientes — apropriadamente chamados CowPots — que podem ser plantados diretamente no solo, devolvendo nutrientes ao ecossistema.
A indústria da recreação ao ar livre certamente tem sua parcela de entusiastas de equipamentos, mas novas maneiras de pensar também impulsionaram o setor. Inovar em processos, e não apenas em produtos, ajuda a conscientizar sobre as várias maneiras de desfrutar a natureza e sobre o que podemos fazer para ampliar o acesso com segurança tanto para as pessoas quanto para o planeta. A organização Leave No Trace, oficialmente fundada em 1994, educa o público sobre sete princípios que cada pessoa pode adotar para minimizar ou eliminar seu impacto ambiental ao acampar, fazer trilhas ou aproveitar a natureza de outras formas. Comunidades e universidades oferecem bibliotecas de equipamentos, onde iniciantes em atividades ao ar livre podem alugá-los. Esses sistemas reduzem as barreiras de entrada para muitas pessoas, eliminando a necessidade de comprar equipamentos, permitindo experimentar um novo esporte antes de decidir se vale a pena continuar e investir, e reduzindo a necessidade de comprar algo apenas para testar.
Qual é sua invenção favorita para aproveitar a natureza e os espaços ao ar livre? Você já inventou alguma coisa para seu passatempo externo? O que inventaria, para si ou para outras pessoas?
De Edison às máquinas elétricas de tatuagem
Enquanto ajudava a limpar o porão da casa de meus pais, deparei-me com algumas folhas de atividades de quando frequentava o jardim de infância. Uma delas chamou especialmente minha atenção: era um questionário que eu havia preenchido sobre meus interesses. Tinha marcado as opções “futebol” e “arte”, entre várias sugestões, mas ri quando vi que também escolhera “outros” e escrevera “tatuagens”.
É seguro dizer que tenho fascínio por tatuagens desde sempre. Embora quisesse me tatuar assim que completasse dezoito anos, esperei até os 24. Meu primeiro desenho foi uma pequena forma semelhante a uma concha na lateral das costelas. Fiquei imediatamente encantada. Quatro anos depois, já tenho treze tatuagens, e a contagem continua aumentando.
No começo, eu me recusava a observar o tatuador trabalhando, preferindo fechar os olhos e virar a cabeça para longe da região tatuada. Agulhas assustam! Mas, depois de chegar à casa dos dois dígitos, fiquei curiosa. Finalmente comecei a observar os artistas enquanto trabalhavam em meu corpo e me fascinei pelo processo. Passei a me perguntar: como funcionam as máquinas de tatuagem e quem as inventou?
A arte de tatuar existe há séculos. O arqueólogo W. M. F. Petrie encontrou em Abidos, no Egito, instrumentos antigos que datam de 3000 a.C., usados para fazer tatuagens. Petrie descobriu uma ponta afiada fixada num cabo de madeira e, mais tarde, um conjunto de pequenos instrumentos de bronze semelhantes a agulhas largas e achatadas. Quando amarradas juntas, as agulhas produziam padrões de múltiplos pontos. Restos humanos mumificados com tatuagens mostram como esses instrumentos eram utilizados para criar marcas permanentes na pele à mão.
Avancemos para 1876, quando um inventor que você provavelmente conhece — Thomas A. Edison — depositou a patente de uma caneta elétrica, máquina utilizada para cortar estênceis que permitiam fazer várias cópias de um documento. Foi uma das primeiras aplicações de motores elétricos em produtos de consumo. O motor montado na haste “movimentava uma pequena agulha para cima e para baixo ao longo do eixo da caneta e criava um estêncil. Em seguida, o estêncil era colocado na prensa, e um rolo forçava a tinta através dos orifícios, produzindo uma cópia do documento”.
Embora a caneta elétrica de Edison tenha sido um produto bem-sucedido, chegando a mercados dos Estados Unidos e de outros países, acabou perdendo a concorrência para outros modelos de canetas mecânicas que dispensavam baterias — a caneta de Edison era alimentada por baterias ácidas. Parecia ser o fim da linha para aquela invenção específica.
Felizmente para os entusiastas de tatuagens do mundo inteiro, a caneta elétrica ganhou uma segunda vida na década de 1890, quando o tatuador irlandês-americano Samuel O’Reilly percebeu seu potencial e a transformou na primeira agulha elétrica de tatuagem. Em 8 de dezembro de 1891, O’Reilly recebeu a patente norte-americana nº 464.801 por sua máquina capaz de perfurar a pele e injetar tinta cerca de cinquenta vezes por segundo, revolucionando para sempre o setor de tatuagens.
Embora máquinas com motor rotativo regulado, como a de O’Reilly, continuem em uso, a maioria das máquinas da arte moderna da tatuagem é acionada por bobinas eletromagnéticas, como o modelo pioneiro criado pelo artista Charles Wagner, da cidade de Nova York, que recebeu a patente norte-americana nº 768.413 em 1904. Tanto as máquinas rotativas quanto as de bobina movem repetidamente um conjunto de pequenas agulhas para perfurar a derme, segunda camada da pele, inserindo gotas de tinta entre cinquenta e três mil vezes por minuto. O espaçamento entre as agulhas é usado para criar diferentes efeitos: se estiverem próximas umas das outras, produzirão linhas sólidas na pele; se estiverem afastadas, criarão sombras ou efeitos de preenchimento. Os artistas continuam modificando e inovando suas máquinas para adaptá-las às próprias necessidades e estilos.
Observar esse processo é fascinante para mim: as agulhas em rápido movimento parecem despejar uma inundação de tinta sobre a pele. É quando o artista limpa o excesso que conseguimos ver onde a tinta foi inserida com precisão e intenção.
Falando em precisão e intenção, minha mãe me entregou uma lista precisa das razões pelas quais eu não deveria fazer tatuagens, e ignorei deliberadamente essa lista. Agora vou para o estúdio! Desculpe, mãe!