Como parte das celebrações do Mês da Herança Hispânica promovidas pelo Smithsonian, de 15 de setembro a 15 de outubro, tenho gostado muito de pesquisar inventores e inovadores hispânicos históricos e contemporâneos. Inicialmente, fiquei surpreso com a quantidade limitada de informações disponíveis em publicações revisadas por especialistas, fontes on-line confiáveis e conjuntos de dados de pesquisa. Felizmente, quanto mais procuro, mais histórias descubro de engenheiros, cientistas e outros especialistas hispânicos que desenvolvem invenções e inovações em áreas que vão da indústria aeroespacial e da tecnologia da informação à engenharia química e aos dispositivos médicos. Aos poucos, estou compilando um banco de dados que espero servir de base para pesquisas mais aprofundadas sobre inventores e inovadores hispânicos, destinadas a publicações, programas e exposições do Smithsonian e de outros lugares.
Por enquanto, gostaria de compartilhar algumas histórias intrigantes, principalmente de pessoas cujo trabalho já foi documentado pelo Lemelson Center.
Victor Leaton Ochoa e o Ochoaplane
Comecemos pelo inventor Victor Leaton Ochoa, personagem no mínimo fascinante. Nascido em Ojinaga, México, em 1850, mudou-se para o Texas e depois viveu em Nova York e Nova Jersey, tornando-se cidadão dos Estados Unidos em 1889. Sua principal invenção foi o “Ochoaplane”, criado aproximadamente entre 1908 e 1911, que passou por diversos projetos ao longo dos anos. A primeira versão era simples, montada sobre dois quadros de bicicleta com um pequeno motor entre eles e pesava apenas cerca de 250 libras. Uma versão posterior, apresentada aqui, possuía estrutura de tubos de aço e asas que ele desejava construir de modo a dobrá-las para trás, sobre o avião, permitindo guardá-lo num celeiro ou garagem. Entre outras invenções patenteadas nos Estados Unidos estão um motor reversível (patente nº 718.508), uma “caneta para canetas-tinteiro” (patente nº 825.153), freios magnéticos ferroviários (patentes nº 867.147 e nº 873.587), um moinho de vento (patente nº 1.319.174) e chaves de aperto (patentes nº 1.417.196 e nº 1.454.333).
Além disso, Ochoa foi jornalista, escritor, líder sindical e ativista político. Ficou especialmente conhecido como revolucionário mexicano. Na década de 1890, havia uma recompensa de cinquenta mil dólares por sua cabeça, a ser entregue vivo ou morto ao presidente mexicano Porfirio Díaz! Ochoa acabou encarcerado nos Estados Unidos por atividades transfronteiriças que violavam as leis de neutralidade norte-americanas — mais tarde fugiu e foi recapturado. Quando não estava preso, ocupava-se em registrar patentes nacionais e internacionais e chegou a constituir a International Airship Company em Patterson, Nova Jersey, presumivelmente para fabricar seu Ochoaplane. Em 1936 voltou a Sinaloa, no México, onde teria morrido nove anos depois. Felizmente, seus documentos estão no Archives Center do Museu Nacional de História Americana. Sua vida renderia um excelente filme de Hollywood.
Ellen Ochoa e sua trajetória na NASA
Nascida em Los Angeles, Califórnia, em 1958, Ellen Ochoa é provavelmente o exemplo mais conhecido de inventora e inovadora hispânica bem-sucedida. Graduada em física e com mestrado e doutorado em engenharia elétrica, trabalhou como pesquisadora no Sandia National Laboratories e no Ames Research Center da NASA. É coinventora de três patentes norte-americanas relacionadas à óptica (nº 4.674.824, nº 4.838.644 e nº 4.949.389). Mais famosa, porém, foi a primeira mulher astronauta hispânica, participando de quatro voos de ônibus espacial e acumulando 978 horas no espaço. Sua primeira viagem foi uma missão de nove dias em 1993 para realizar estudos atmosféricos e solares a bordo do ônibus espacial Discovery, que pode ser visitado no Udvar-Hazy Center, do Smithsonian. No ano seguinte, foi comandante de carga útil numa missão do Atlantis. Voltou ao Discovery em 1999 para ajudar a realizar o primeiro acoplamento de um ônibus espacial à Estação Espacial Internacional, e seu último voo foi no Atlantis em 2002.
Em 2012, Ochoa tornou-se a primeira pessoa hispânica e a segunda mulher a ser nomeada diretora do Johnson Space Flight Center da NASA, em Houston, Texas. Além de ganhar numerosos prêmios pela carreira pioneira e ser incluída tanto no Hall da Fama da Califórnia quanto no Hall da Fama dos Astronautas dos Estados Unidos, ela tem seis escolas batizadas em sua homenagem em quatro estados norte-americanos. Quantos inventores podem dizer o mesmo?! Há mais de duas décadas, apenas três anos depois de seu primeiro voo espacial, Ochoa conversou sobre sua vida e carreira inventiva com alunos do ensino fundamental num programa Innovative Lives de 1996 no Lemelson Center. Também foi apresentada na exposição itinerante Our Journeys/Our Stories do Smithsonian Latino Center, ao lado do inovador mexicano Mario J. Molina, vencedor do Prêmio Nobel de Química de 1995 com Paul J. Crutzen e F. Sherwood Rowland “por seu trabalho em química atmosférica, especialmente sobre a formação e decomposição do ozônio”.
José Luis Hernández-Rebollar e Manuel Villafaña
Em 2005, o Lemelson Center apresentou o inventor mexicano e estudante de pós-graduação José Luis Hernández-Rebollar em sua série Innovative Lives. Ele conversou com estudantes sobre o desenvolvimento do AcceleGlove, uma luva eletrônica que traduz a língua de sinais para formas escrita e falada. Nascido em Puebla, México, em 1969, Hernández-Rebollar obteve a graduação em eletrônica na Benemérita Universidad Autónoma de Puebla (BUAP) e o mestrado em engenharia eletrônica no Instituto Nacional de Astrofísica, Óptica y Electrónica. Graças a uma bolsa Fulbright, foi aos Estados Unidos para obter o doutorado em engenharia elétrica na George Washington University, onde recebeu duas patentes norte-americanas (nº 7.565.295 e nº 8.140.339), ambas relativas a um “método e aparelho para traduzir gestos das mãos” destinado ao AcceleGlove. Infelizmente, não existem muitas informações detalhadas sobre sua carreira de inventor depois disso, mas, segundo a biografia publicada por ocasião de sua palestra TEDxBuap de 2017, Hernández-Rebollar retornou ao país natal e passou a ser professor e pesquisador na universidade em que se graduou.
Uma ligação mais recente com o Lemelson Center foi estabelecida com Manuel “Manny” Villafaña, brevemente destacado na exposição Places of Invention. Seus documentos estão no Archives Center, junto com sua coleção de válvulas cardíacas, mantida na Divisão de Medicina e Ciência do museu. Filho de imigrantes porto-riquenhos, nasceu em 1940 e cresceu no Bronx, em Nova York, onde se formou na Cardinal Hayes High School. Como vendedor bem-sucedido de equipamentos médicos da Picker International, Villafaña foi recrutado por Earl Bakken, cofundador da Medtronic — também apresentado em Places of Invention — e mudou-se para Minneapolis, Minnesota. Em 1971, deixou a empresa para criar a concorrente Cardiac Pacemakers Inc., destinada a desenvolver um marca-passo cardíaco utilizando uma nova bateria de lítio inventada pelo engenheiro Wilson Greatbatch, destaque de outro programa Innovative Lives em 1996. Desde então, Villafaña continuou como inovador, com várias patentes, e empresário em série, fundando outra grande companhia, a St. Jude Medical — conhecida pela válvula St. Jude —, além da ATS Medical e várias empresas menores. Mais recentemente, iniciou um empreendimento chamado Medical 21, que pretende desenvolver vasos sanguíneos artificiais como alternativa mais segura e menos invasiva às cirurgias de revascularização coronária.
Outros cientistas e inventores hispânicos
Voltando aos ganhadores do Prêmio Nobel, além do químico Mario Molina mencionado acima, vários outros cientistas hispânicos laureados merecem reconhecimento. Luis W. Alvarez, nascido na Califórnia, foi o único vencedor do Nobel de Física de 1968 “por suas contribuições decisivas à física de partículas elementares, em especial pela descoberta de um grande número de estados de ressonância, possibilitada pelo desenvolvimento da técnica de uso da câmara de bolhas de hidrogênio e análise de dados”. Também foi o primeiro hispânico incluído no Hall da Fama dos Inventores dos Estados Unidos, em 1978, por seu “indicador por rádio de distância e direção” (patente nº 2.480.208). O venezuelano Baruj Benacerraf recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1980 com Jean Dausset e George D. Snell “por suas descobertas relativas a estruturas geneticamente determinadas na superfície das células que regulam as reações imunológicas”. Há também dois argentinos laureados com o Nobel de Fisiologia ou Medicina: Bernardo Houssay, vencedor com Carl e Gerty Cori em 1947 “pela descoberta do papel do hormônio do lobo anterior da hipófise no metabolismo do açúcar”, e César Milstein, que dividiu o prêmio de 1984 com Niels K. Jerne e Georges J. F. Köhler “por teorias sobre a especificidade no desenvolvimento e controle do sistema imunológico e pela descoberta do princípio de produção de anticorpos monoclonais”.
É claro que existem muitos outros inventores e inovadores que merecem maior atenção. Ao lado de Luis Alvarez, por exemplo, há pelo menos outros três membros hispânicos do Hall da Fama dos Inventores dos Estados Unidos: Miguel Angel Ondetti, incluído em 2004 pelo captopril, primeiro medicamento de uma nova classe conhecida como inibidores da enzima conversora de angiotensina, ou ECA (patente nº 4.105.776); Julio Palmaz, incluído em 2006 pelo primeiro stent intravascular comercialmente bem-sucedido, conhecido como stent Palmaz (patente nº 4.733.665); e Alejandro Zaffaroni, incluído em 2012 por adesivos transdérmicos de administração de medicamentos (patente nº 3.598.122). Outros nomes notáveis são a astrofísica France A. Córdova, primeira mulher a ocupar o cargo de cientista-chefe da NASA e atualmente diretora da National Science Foundation; o engenheiro mexicano Guillermo González Camarena, que inventou um dos primeiros sistemas de transmissão de televisão em cores; a bióloga molecular Lydia Villa-Komaroff, pioneira em tecnologia de DNA e síntese de proteínas; e o cientista da computação Luis Von Ahn, bolsista MacArthur que cocriou o CAPTCHA durante a pós-graduação na Carnegie Mellon University e depois inventou o ReCAPTCHA e o Duolingo.
Por favor, enviem-me recomendações de outros inventores e inovadores hispânicos que eu deva incluir em meu banco de dados!