Os ovos são classificados em seis tamanhos — gigante, extragrande, grande, médio, pequeno e muito pequeno — e três categorias de qualidade, AA, A e B, que nos Estados Unidos avaliam características internas e externas. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a produção norte-americana atingiu 9,66 bilhões de ovos em dezembro de 2021, incluindo 8,38 bilhões destinados à mesa dos consumidores. São muitos ovos para recolher, embalar e transportar.

Ovos quebram com facilidade e exigem cuidado durante todo o caminho até as prateleiras dos supermercados. Uma embalagem apropriada também tem grande importância econômica. Em março de 1921, a revista Printer’s Ink Monthly informou que os Estados Unidos produziam 67 milhões de caixas de ovos, avaliadas em mais de 1,2 bilhão de dólares. A American Railway Express Company, empresa nacional de entregas que operou entre 1918 e 1975, registrava indenizações por quebra superiores a 100 mil dólares mensais. Boa parte das perdas era atribuída a materiais de embalagem inferiores. Em valores atuais à época da pesquisa, isso equivaleria a aproximadamente 1,5 milhão de dólares em indenizações mensais.

Centenas de invenções norte-americanas patenteadas — suportes, engradados, cestos e caixas — procuraram resolver o problema de levar ovos da fazenda ao consumidor sem quebrá-los. Anúncios prometiam “nenhuma perda”, “chega de ovos quebrados”, “a caixa mais segura”, “acabe com os prejuízos por quebra” e “por que arriscar?”. Era uma tentativa de convencer produtores a adotar determinado acondicionamento.

A embalagem moderna que encontramos nos supermercados costuma ser feita de poliestireno ou de polpa de papel moldada, matéria-prima renovável e biodegradável derivada das árvores. Em geral é uma bandeja com tampa integrada, para 12 a 18 ovos. Nem sempre foi assim. O formato atual surgiu de aperfeiçoamentos feitos no começo do século XX por inventores da Grã-Bretanha, Canadá e Estados Unidos.

Engradados dobráveis e caixas de madeira

Antes das caixas de papel moldado, ovos eram carregados e armazenados em cestos, recipientes e engradados. Um exemplo foi o engradado dobrável “Humpty Dumpty”, produzido pela Cummer Manufacturing Company, de Cadillac, Michigan. Nascido no Canadá, Herbert Harvey Cummer (1860–1918) patenteou em 1894 uma caixa conhecida pela barra superior vermelha, capaz de acomodar três, seis, nove, doze ou quinze dúzias de ovos. Fabricada com madeira de bétula, faia ou bordo, ela podia ser desmontada pelos produtores depois do recebimento e devolvida pelo correio. Em 1906, Cummer expandiu os negócios e abriu uma fábrica em Paris, Texas, para fabricar engradados dobráveis também destinados a frutas e verduras.

John L. e George W. Stevens, de São Francisco, haviam proposto em 1867 uma padronização dos engradados de madeira. Sua patente nº 62.378 descrevia uma caixa para trinta dúzias, isto é, 360 ovos, distribuídos em doze bandejas de trinta unidades. Cada ovo tinha compartimento próprio, com divisórias horizontais entre os níveis, de baixo até o alto do recipiente. Muitos engradados usavam papel de palha, palha e estruturas semelhantes a favos como amortecimento.

James K. Ashley patenteou em 1902 uma máquina para fabricar caixas e engradados, destinada a agilizar a fixação de ripas nas extremidades e a confecção de tampas. Em 1925, obteve outra patente para uma máquina aperfeiçoada de fabricação de caixas de ovos.

Uma embalagem eficaz significava menos desperdício por deterioração, manuseio mais fácil, armazenamento e exposição mais eficientes, vendas mais rápidas — com menor necessidade de pesar e embrulhar — e maior uniformidade. A própria caixa podia servir como publicidade, impressa com logotipos e slogans de fabricantes e vendedores.

Martin L. Keyes e a polpa moldada

Com a expansão das fábricas de papel no início do século XX, a produção de polpa tornou-se praticamente uma atividade industrial independente, capaz de abastecer muitos setores além da fabricação de papel. O primeiro método de moldagem de polpa de madeira apareceu em 1890. Em 1903, Martin L. Keyes, de Cambridge, Massachusetts, patenteou a máquina nº 740.023, destinada a fabricar objetos a partir dessa polpa.

Keyes estudou a polpa e seus produtos durante toda a vida. Em 1903, fundou a Keyes Fibre Company em Fairfield, Maine, posteriormente ampliada para Waterville. Ali fabricava pratos para tortas de fibra moldada e continuou inventando e patenteando máquinas para produzir objetos desse material. Já no fim do século XIX existia toda uma indústria de máquinas especializadas em acondicionar mercadorias em latas, caixas, envelopes, potes, garrafas, embalagens metálicas e tubos com rótulos e imagens impressas.

Thomas Bethell e as primeiras embalagens de papelão

A indústria de ovos adotou novos materiais e métodos de fabricação. Uma das primeiras embalagens modernas conhecidas é atribuída a Thomas Peter Bethell, fabricante de caixas de papelão de Liverpool, Inglaterra. Em 1903, ele patenteou um método aperfeiçoado para embalar ovos em cilindros de papelão e enviá-los por trem ou correio. Bethell já era conhecido por embalagens premiadas de manteiga e por caixas postais para produtos perecíveis, estojos dobráveis para manteiga, queijo e garrafas, além de caixas circulares e outros recipientes de papelão.

A Raylite Egg Box, criação de Bethell, era anunciada como solução para proteger ovos caros durante o transporte e prometia garantir proteção contra quebras.

Joseph Leopold Coyle e a caixa de segurança

Joseph Leopold Coyle (1871–1972) foi pintor, agrimensor, jornalista, empresário e inventor canadense. Fundou jornais como Omineca Herald, Bulkey Pioneer e Interior News, na Colúmbia Britânica. Registrou sua caixa de ovos primeiro no Canadá, em 15 de janeiro de 1918, e depois nos Estados Unidos, em 11 de junho do mesmo ano. Segundo uma história amplamente documentada, a ideia surgiu de uma discussão sobre ovos quebrados entre um fazendeiro e o proprietário de um hotel perto do escritório de seu jornal.

Conhecida como Coyle Safety Egg Carton, a embalagem começou a ser fabricada pela United Paper Products em Vancouver, na Colúmbia Britânica. Mais tarde, Coyle transferiu a produção para Los Angeles, onde passou a produzi-la por conta própria, com o nome Coyle Paper Box Company. Depois associou-se a Leon Benoit (1878–1957), também canadense, inventor e empresário, para produzir as caixas em Chicago e Nova York pela Coyle Safety Carton Company, também chamada Egg Safety Carton Company. Coyle transferiu diversas patentes para a empresa presidida por Benoit.

A fabricação também se expandiu para a Grant Paper Box Company, em Indiana e Pittsburgh; a Colette Sproule Company, em Toronto; e a Somerville Industries, em London, Ontário. A Robert Gair Company, que havia produzido todas as caixas da Egg Safety Carton Company entre 1932 e 1944, comprou essa empresa em 1947.

Koppelman e Sherman aperfeiçoam a embalagem

Outros inventores desenvolveram o trabalho de Coyle. Morris Koppelman (1872–1951?), conforme o censo federal de 1920, era um alfaiate nascido na Rússia que chegara aos Estados Unidos em 1891. Inventou uma peça para cintura em 1903 e uma gola de casaco em 1909. Comercializou a segunda criação com Leon Mann, da Leon Mann Company, sob o nome “Presto Collar”. Não se sabe exatamente por que passou da alfaiataria às embalagens para ovos, mas sua inventividade é evidente: em 1921, patenteou um sistema para acondicionar ovos, o primeiro de uma sequência de projetos para embalar artigos frágeis.

Em 1926, Francis H. Sherman patenteou outra embalagem e suporte para ovos. Seu desenho facilitava o acondicionamento automático por máquinas e, na aparência, já se aproximava muito das caixas encontradas hoje nos supermercados.

Mary Engle Pennington e a segurança dos alimentos

Seria impossível tratar da história do transporte de ovos sem mencionar Mary Engle Pennington (1872–1952), química, bacteriologista e engenheira de refrigeração. Em 1892, a Universidade da Pensilvânia recusou-se a conceder-lhe o diploma de bacharelado em química porque mulheres recebiam certificados, não diplomas. Em 1895, no entanto, ela obteve um doutorado em química na mesma instituição e depois construiu uma carreira relevante na segurança dos alimentos.

Harvey W. Wiley, diretor do Departamento de Química do USDA, aproveitou os recursos proporcionados pela lei de alimentos e medicamentos puros de 1906 para contratar inspetores e criar o Laboratório de Pesquisa de Alimentos. Incentivou Pennington, sua amiga e colega, a candidatar-se à chefia. A experiência acadêmica e profissional dela era ideal para o cargo. Quando Wiley recebeu os resultados do concurso — Pennington havia obtido a nota mais alta —, alterou seu nome para “M. E. Pennington” e ofereceu-lhe a vaga. Ao descobrir que ela não era homem, o serviço público argumentou que não existia precedente para empregar uma mulher. Wiley respondeu que tampouco existia precedente para deixar de contratar alguém apenas por ser mulher. Pennington conseguiu o emprego.

Ela escreveu os capítulos “What Is an Egg?” e “The New Era of Cold and Cleanliness” para a obra em dois volumes Eggs, organizada por Paul Mandeville e publicada por ocasião da feira mundial de Chicago de 1933. Entre 1912 e 1933, recebeu cinco patentes relacionadas a ovos e aves. Segundo a pesquisadora Autumn Stanley, Pennington também projetou um novo tipo de caixa que reduzia a quebra de ovos. Embora esse desenho não tenha sido patenteado, o trabalho de Pennington em refrigeração e seu interesse pelo armazenamento e transporte seguro de alimentos perecíveis provavelmente a levaram a considerar também as embalagens.

Depois de levar os ovos com segurança para casa e utilizá-los, ainda é possível reaproveitar a caixa como material isolante, organizador de pequenos objetos, recipiente para germinar mudas, bandeja de tinta e até instrumento para ensinar aritmética. É muita utilidade para uma única peça de polpa moldada.

Muitas pessoas trabalham ao mesmo tempo em ideias semelhantes, algo recorrente na história das invenções. As embalagens de ovos não foram exceção: além dos nomes apresentados, Minnie J. Reynolds, Harry R. Drake, Emile Daboval, Wybren R. Ferwerda e Frederick R. Vernon também contribuíram com propostas para solucionar o problema.